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É cedo para fazer qualquer tipo de previsão, mas a tragédia causada pelo terremoto na Turquia e na Síria poderá ter impacto nos mercados agrícolas. Os turcos são o quarto maior importador de trigo e o principal exportador de farinha. Estão também entre os cinco mais compradores mundiais de algodão. Além disso, o governo da Turquia tem sido um avalista do acordo com a Rússia que mantém um corredor de exportação de grãos da Ucrânia pelo Mar Negro.

Tem duas equipes do Rally da Safra no campo nesta semana. Uma delas avalia as lavouras de soja no Leste do Mato Grosso. A outra está percorrendo o Sul do Mato Grosso do Sul e vai terminar o trajeto na sexta-feira em Maringá, no Oeste do Paraná.

O petróleo abriu a semana em alta depois que a Arábia Saudita surpreendeu o mercado e elevou os preços de março para Estados Unidos, Europa e Ásia. Vamos ver ao longo da semana a reação de produtos agrícolas como o milho, principal origem do etanol americano, e para o algodão, que compete com as fibras sintéticas.

Os mercados agrícolas também aguardam as estimativas de oferta e demanda global que o USDA divulga na quarta-feira, 8 de fevereiro.


SOJA I | Enquanto a chuva não vem…

Está ficando cansativo repetir a mesma ladainha semana após semana, mas é a dura realidade: os preços futuros da soja em Chicago foram novamente direcionados pelas previsões climáticas na Argentina. A previsão de pouca chuva para os próximos dias deu suporte aos preços internacionais na semana passada. O plantio foi concluído (pelo menos isso), mas uma parte das lavouras semeadas mais cedo já entraram nas fases de definição de produtividade, o que mantém o mercado em alerta.

SOJA II | A demanda chinesa, o avanço da colheita e a comercialização no Brasil 

Os chineses saíram do feriado do ano novo lunar comprando soja dos Estados Unidos e do Brasil (a demanda por soja brasileira tem sido bem maior do que pela americana, com embarques concentrados de março em diante).

No Brasil, a comercialização andou na semana passada tanto para a exportação quanto para o mercado interno. Os preços domésticos tenham chegado a operar em queda devido à desvalorização do dólar, mas a pressão de venda gerada pelo avanço da colheita destravou os negócios.


MILHO | Um alívio para a oferta, pelo menos 

Pelo menos no caso do milho, veio algum alívio da Argentina para a oferta global. As chuvas das últimas semanas, embora não tenham sido tão volumosas assim, deram uma melhorada nas lavouras. A área em condições boas ou excelentes subiu de 12% para 22% em uma semana. Ainda é grande coisa, mas o sentimento é que poderia estar pior. O plantio foi praticamente finalizado.

Veja outras notícias da semana para o mercado de milho:

  • Reaqueceu a demanda pelo milho americano. Segundo o USDA, as vendas semanais chegaram a 1,6 milhão de toneladas, 75% acima da semana anterior.
  • No Brasil, os preços domésticos também caíram, puxados pelas cotações internacionais e pelo câmbio, que se manteve em queda durante boa parte da semana passada.

ALGODÃO | Expectativa de queda na área americana 

O mercado continua atento ao planejamento da safra americana 23/24. A perspectiva é que queda na área plantada, devolvendo a expansão da temporada passada. Ponto positivo: a previsão, pelo menos por enquanto, é de um clima bem mais favorável nos Estados Unidos, que resultaria num aumento de área colhida. Em 22/23, os problemas climáticos levaram a um abandono recorde de 40% da área plantada.

No Brasil, os produtores continuam atentos ao calendário ideal para o plantio do Algodão 2ª safra. Agora, tudo depende de o clima colaborar para que a semeadura avance sobre as áreas já colhidas de soja. As lavouras já semeadas se desenvolvem bem. O manejo de pragas está começando.


CANA I | Açúcar bate no valor mais alto desde 2016

A semana passada foi quente no mercado de açúcar. Os preços bateram em USD¢ 21,76 por libra-peso na terça-feira, 31 de janeiro, o maior valor desde novembro de 2016 – a semana ainda fechou acima de USD¢ 21 por libra-peso, depois de um pequeno recuo. Motivo: a indicação de que a Índia não aumentará as cotas de exportações, atualmente limitadas a pouco mais de 6 milhões de toneladas. Para o mercado, o centro-sul brasileiro poderá reequilibrar as coisas e reduzir a pressão de alta. Por aqui, consolida-se a impressão de que as usinas vão antecipar o início da moagem o máximo possível. São dois motivos: o elevado inverso no mercado entre as cotações de março e maio e as projeções de alta disponibilidade de matéria-prima a ser processada ao longo da safra.

CANA II | A gasolina sobe, mas o etanol continua pouco competitivo

O aumento de preços da gasolina promovido pela Petrobras em 25 de janeiro começou a chegar aos consumidores. No estado de São Paulo, a alta nas bombas foi de 2,3%, voltando a encostar nos BRL 5/litro. O etanol hidratado subiu mais modestos 1,1%, para BRL 3,73/litro. A paridade continua favorável a gasolina em 74,7%. O Mato Grosso é ainda o único estado onde o hidratado é mais competitivo.

Nas usinas, o etanol hidratado teve mais uma ligeira alta, encerrando a semana pouco acima dos BRL 2,70 / litro, de acordo com o índice Cepea/Esalq. O anidro subiu 2,9%, fechando a semana a BRL 3,0769 / litro. Além do aumento da gasolina, pesou nesses aumentos a baixa disponibilidade de etanol durante esta entressafra canavieira e ao clima bastante úmido no interior.


CAFÉ | Números frustrantes

Dois números frustrantes sobre o mercado de café para começar a semana:

  • Em 2022, a Starbucks fechou um terço das lojas que tinha na China. Esse foi o preço dos lockdowns e da política chinesa da covid-zero para a rede. A expectativa dos executivos é que os negócios melhorem 2023, agora que as restrições à movimentação foram amenizadas.
  • A comercialização de café brasileiro pela Cooxupé fechou janeiro em 223 mil sacas, queda de 23% sobre o mesmo período do ano passado – pode ser porque os produtores não querem vender, devido às recentes quedas nos preços, porque eles já não têm tanto café assim para negociar ou por uma combinação entre esses dois fatores.

E os preços? Fecharam a semana passada em alta no Bolsa de Nova York. Ainda existem problemas na safra colombiana, atrasos no Vietnã, baixos estoques nos países produtores e uma grande incerteza sobre o tamanho da nova safra brasileira.


TRIGO | Oferta global incerta 

Começam a surgir preocupações com a safra de inverno dos Estados Unidos, onde falta umidade. Os preços em Chicago refletiram esse humor, fechando a sexta-feira, 3 de fevereiro, com alta de 0,9% sobre o encerramento da semana anterior. Continua havendo incertezas sobre a oferta na Rússia e na Ucrânia. As projeções do USDA indicam que os russos devem produzir 91 milhões de toneladas – mas o Ikar (instituto russo de estudos sobre o mercado agrícola) reduziu as projeções de 87 milhões para 84 milhões de toneladas. No Brasil, os preços domésticos fecharam a semana em queda tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul.