Confira abaixo os principais acontecimentos que marcaram o agronegócio durante a semana do dia 07 a 11 de julho de 2025.
Tarifa de 50% dos EUA revela o custo de uma política externa mal calibrada; Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto. A medida, por envolver motivações que vão além do comercial, marca uma nova fase nas relações entre os dois países – e afeta diretamente o agronegócio. Dentre todos os produtos agro, a celulose deve ser o mais afetado, seguido por suco de laranja, café e carne bovina. Já soja, milho e carne de frango devem sentir menos, dada a baixa exposição ao mercado americano. Nesse contexto, o acordo Mercosul–União Europeia ganha relevância para os dois lados, e o bloco pode ser uma boa alternativa para suprir parte da perda de mercado nos EUA. Os Brics também entram no radar, mas dificilmente conseguirão equalizar a saída do mercado norte-americano. No curto prazo, o agro pode se beneficiar com a desvalorização do real, o que pode ajudar a redirecionar os produtos brasileiros. Ainda assim, o saldo tende a ser negativo. O PIB deve ser fortemente impactado, e os juros devem permanecer altos – um agravante num momento em que os custos financeiros já estão elevados. Isso ocorre justamente quando parte do setor enfrenta margens pressionadas e alto endividamento, sobretudo entre os produtores de grãos. O governo brasileiro se encontra numa saia justa, já que retaliar pode implicar em alto custo político. Novas tarifas pressionariam os preços internos e, consequentemente, a inflação – agravando o desgaste social e ampliando a rejeição a um governo já impopular. O momento pede calma, e o setor tem defendido diplomacia afiada e presença ativa do Brasil na mesa de negociações.
China avalia retomada de importação de frango do Brasil após surto de gripe aviária
Depois do surto de gripe aviária registrado em maio numa granja comercial no RS, o setor avícola brasileiro enfrentou um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Na ocasião, mais de 20 países impuseram restrições às exportações, e as vendas de carne de frango fresca despencou 23% em junho, caindo para 314 mil toneladas. Mas há sinais de alívio no horizonte. A China, maior compradora da proteína brasileira, está reavaliando seus protocolos e pode liberar as importações em breve. O assunto foi tratado entre os dois países, durante a cúpula dos BRICS, no Rio de Janeiro. A maioria dos países já normalizou as compras após o fim oficial do surto, declarado pela Organização Mundial de Saúde Animal no final do mês passado. Mas nove mercados ainda seguem com restrições, incluindo China, Malásia e Peru. A eventual retomada chinesa teria peso decisivo para o setor, que busca redirecionar embarques e retomar margens. Em meio a um cenário desafiador, qualquer sinal de reabertura – especialmente vindo de Pequim – pode fazer a diferença entre mais um trimestre difícil e o início da volta a normalidade.
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