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Era uma vez um acordo comercial chamado Fase 1. Foi assinado há três anos, completados nesta semana, por americanos e chineses. Sábios dos dois países queriam acabar com a guerra comercial de 2018 e 2019. Os artigos chineses voltariam a pagar tarifas mais baixas para entrar no Estados Unidos, como era antes da guerra. Em troca, a China compraria mais soja, milho e outras commodities americanas. Aí veio a malévola pandemia e o acordo virou um belo adormecido: nem totalmente cumprido, nem completamente descartado.
Nesta semana, a secretária do tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, e o vice premier chinês, Liu He, se encontram no fórum econômico de Davos, na Suíça. Pode ser que eles resgatem esse enredo. Isso pode modificar a dinâmica dos mercados agrícolas. O papel do Brasil? Prestar bastante atenção: nem sempre essas histórias terminam com um final feliz para todo mundo.
Ainda na China: as autoridades divulgam nesta terça-feira os indicadores do produto interno bruto de 2022. O mercado acredita que os números vão mostrar que o crescimento foi prejudicado pela onda de covid de dezembro, após o relaxamento da política de covid-zero – mas com boa chance de recuperação nos próximos meses (pelo menos é o que se espera por enquanto).
O Rally da Safra fechou a primeira semana de avaliações no Mato Grosso. As equipes rodaram sob tempo chuvoso – o que também atrasou a colheita, que poderia estar mais adiantada. Nesta semana o Rally avalia as lavouras de soja precoce do Oeste e do Norte do Paraná. A falta de chuva em dezembro pode ter prejudicado um pouco algumas áreas do Oeste, mas em geral a expectativa é de encontrar lavouras em boas condições.
Vai ser mais uma semana de expectativa para o clima na América do Sul. As previsões para a Argentina continuam sendo de pouca chuva e muito calor nas regiões agrícolas. Na semana passada, as bolsas de cereais de Buenos Aires e de Rosário já cortaram as estimativas para a safra. O problema é que ainda pode piorar. As previsões não são boas e a temporada pode ser a pior da série histórica.
SOJA | Duas surpresas na mesma semana

Não faltaram fatos até certo ponto surpreendentes nos últimos dias.
A primeira delas: o USDA reduziu a produção de soja da safra americana 22/23 em quase 2 milhões de toneladas, após ajustes negativos na área e na produtividade. A oferta americana baixou para 116,4 milhões de toneladas, apertando ainda mais o balanço. A estimativa para os estoques em 1º de dezembro passado fechou abaixo do que o mercado esperava e em queda sobre o mesmo período do ano passado.
Segunda surpresa: os argentinos compraram de 200 mil a 300 mil toneladas de soja brasileira. Não é sempre que esse tipo de operação acontece. Dessa vez, porém, os estoques na Argentina encontram-se muito baixos – uma consequência do estímulo às exportações proporcionado pelo regime cambial facilitado do dólar-soja antes da virada do ano.
Mais: ainda leva tempo para que a produção da safra 22/23 chegue ao mercado – e vai chegar gravemente prejudicada pela seca, que fez as principais bolsas argentinas cortarem as estimativas de produção na semana passada – ambas reduziram área plantada e produtividade. No caso da Bolsa de Rosário, o corte foi de 12 milhões de toneladas, para 37 milhões de toneladas, e há viés de baixa considerando as previsões climáticas pouco favoráveis. A Bolsa de Buenos Aires passou a trabalhar com dois cenários, com uma produção de 41 milhões de toneladas no mais otimista e de 35,5 milhões de toneladas no mais pessimista.
Resultado: os preços internacionais voltaram a subir na semana encerrada na sexta-feira (13). No Brasil, a queda do dólar praticamente anulou a alta da soja no exterior e a comercialização avançou pouco.
MILHO | Sustos de sexta-feira 13

Um grande temor contribuiu para que os preços do milho fechassem em alta a semana encerrada na sexta-feira, 13 de janeiro. Uma parte do susto, como seria de esperar, vem da Argentina, onde o clima seco continua reduzindo as estimativas de produtividade e de área plantada. A Bolsa de Rosario revisou suas projeções para 45 milhões de toneladas, 5 milhões de toneladas abaixo da estimativa anterior. Já a Bolsa de Buenos Aires trabalha com duas possibilidades – a mais positiva em que a produção chegaria a 44,5 e uma mais negativa em que a produção total de milho ficaria em 37,8 milhões de toneladas.
Além disso, o USDA revisou para baixo as estimativas da safra 22/23, colhida no fim do ano passado. A estimativa para a oferta americana caiu a 348,7 milhões de toneladas. Assim como aconteceu com a soja, a estimativa dos estoques americanos em 1º de dezembro também veio abaixo do que o mercado esperava, fechando em 31,5 milhões de toneladas.
No mercado doméstico, houve queda nos contratos futuros de milho com vencimento em janeiro e alta para o vencimento em março (o que foi puxado pela perspectiva de revisões negativas na produção do Rio Grande do Sul, pelo baixo estoque de passagem e pelas boas exportações entre o fim de 2022 e o início deste ano).
ALGODÃO | Mais uma redução na demanda
Três pontos sobre o mercado de algodão para começar esta semana.
- O que já mudou: o USDA revisou para baixo a demanda mundial de algodão na safra 22/23. As estimativas de oferta também caíram, mas num patamar menor. As projeções indicam um superávit de 1 milhão de toneladas na safra. Essa perspectiva levou a uma queda de 3,5% nos preços internacionais na semana passada.
- O que ainda pode mudar: nos atuais patamares de preço, e considerando os custos de produção, a área plantada de algodão da safra 23/24 poderá cair, dando lugar a soja ou ao milho onde a migração for possível. Do ponto de vista do consumo, o reaquecimento da economia chinesa após o relaxamento da política de covid-zero traria bons sinais. A ver as cenas dos próximos capítulos.
E no Brasil? Por aqui, o clima chuvoso atrasa a colheita da soja e o plantio do algodão 2ª safra no Mato Grosso. Mas não há preocupação por enquanto. Há tempo suficiente para que as lavouras da safra 22/23 ainda sejam semeadas num bom calendário.
CANA | Petróleo e tributos sustentaram alta do açúcar
O açúcar recuperou boa parte das perdas da semana retrasada e encerrou a primeira quinzena de janeiro mais perto dos USD¢ 20 / libra-peso. O vencimento de julho subiu mais discretamente. Com isso, o inverso entre março e julho passou dos 160 para 205 pontos, indicando uma preocupação com a oferta de curto prazo – o que só deve se normalizar com o estabelecimento dos fluxos de Índia e Tailândia e com a entrada da nova safra brasileira.
Dois fatores ajudaram a recuperação do mercado:
- A alta do petróleo, que fechou a semana novamente acima dos USD 85 / barril (alta de quase USD 7 na semana),
- A sinalização da retomada da cobrança dos impostos sobre a gasolina no Brasil.
Esses aspectos foram mais determinantes do que o principal aspecto baixista da semana – o bom volume de cana processada na segunda quinzena de dezembro no Centro-Sul do Brasil, de acordo com o relatório da Única publicado na quarta-feira, 11 de janeiro.
Combustíveis – No Brasil, os combustíveis caíram nos postos. Na média nacional, a queda foi de 1,9% no etanol hidratado e de 1,1% para a gasolina. Atualmente, em nenhum estado a paridade é favorável à demanda do hidratado.
O etanol teve uma semana negativa para os preços nas usinas. O hidratado caiu quase 8% e encerrou a semana vendido abaixo dos BRL 2,60 / litro, o menor valor desde setembro. O anidro teve perdas menos agressivas (4,5%) e fechou a sexta-feira a BRL 3,0829 / litro. As quedas ocorrem em um momento de menor apetite comprador pelo lado das distribuidoras, que apostavam na volta dos impostos e aumentaram os inventários antes do fim do ano.
CAFÉ I | Chuva e mais chuva 
Os preços na ICE continuam caindo, puxados para baixo pela perspectiva de uma boa produção para a safra brasileira que começa a ser colhida em abril. Os bons volumes de chuva das últimas semanas nas principais regiões produtoras sustentam essa avaliação positiva pelo mercado.
A chuva, de fato, pode ser boa: os grãos ficam mais pesados e as lavouras que sofreram com a estiagem prolongada em 2022 podem se recuperar. No entanto, o excesso de umidade traz alguns problemas, favorecendo a queda dos grãos e criando dificuldades para o manejo dos insumos nos cafezais.
A previsão é que o corredor de umidade no Sudeste do país perderá força nesta semana, mas ainda pode chover mais de 50 mm nos próximos dias em algumas regiões na faixa que vai do Paraná a Minas Gerais e no Espírito Santo.
CAFÉ II | Os números da OIC
A OIC (Organização Internacional do Café) divulgou estimativas para a safra 22/23 (outubro-setembro). A produção é projetada em 167,2 milhões de sacas, 2,1% abaixo da temporada anterior, enquanto o consumo cresce 3,3%, para 170,3 milhões de sacas.
TRIGO | Os preços continuam em queda
Numa semana sem grandes novidades, os preços do trigo no mercado internacional fecharam a sexta-feira (13) no mesmo nível do encerramento da semana anterior. (Na terça-feira, 10, as cotações em Chicago chegaram a testar o limite de baixa de USD 7,20 por bushel.) O relatório de oferta e demanda global do USDA aumentou em 800 mil toneladas o estoque inicial e em 900 mil toneladas o uso total, reduzindo as estimativas para os estoques americanos em 100 mil toneladas.
No Brasil, os preços internos continuam pressionados para baixo pela expectativa de safra cheia em 23/24. Em relação ao encerramento da semana anterior, o índice Esalq caiu 1,6% para o Paraná, fechando a BRL 1.685,63 por tonelada. No Rio Grande do Sul, a queda foi de 1,28%, encerrando a semana a BRL 1.495,94 por tonelada.