Javier Milei é o novo presidente argentino. As comemorações avançaram pela madrugada, e a ressaca é certa! O país vizinho está em uma profunda crise, com expectativa de piora no curto prazo. Não há remédio milagroso, e será necessário tempo. Agora, as atenções se voltam para as primeiras medidas que Milei tomará e se seguirá uma linha radical ou adotará um tom mais moderado, deixando de lado o personagem das eleições. Para o setor Agro, muitas coisas estão em jogo. Dentre as propostas de Milei, a que urge e certamente deverá ser uma das primeiras é uma mudança no câmbio. Mesmo que neste primeiro momento não ocorra a unificação dos diversos câmbios, uma simplificação e/ou correção do dólar oficial em relação ao dólar “blue”. Se isso ocorrer, a dinâmica de comercialização sofrerá impacto imediato. No curto prazo, pode haver um estímulo para o aumento de área, principalmente de soja, mas os maiores impactos devem ficar para o médio prazo.

Em um evento recente, a ApexBrasil destacou que a agricultura brasileira atraiu, para os próximos anos, R$ 40 bilhões em investimentos, direcionados a bioinsumos, energia limpa e biocombustíveis, como a construção de plantas de etanol de segunda geração. Diante desse cenário, o ministro da Agricultura brasileiro, Carlos Fávaro, aproveitou para falar sobre o potencial de crescimento do campo brasileiro, sua capacidade em atender à demanda e atrair novos investimentos para esses setores. Contudo, segundo ele, de maneira diferente: não mais crescendo sob floresta e reconhecendo aqueles que têm boas práticas agrícolas. Para isso, ele destacou o programa de incremento de produtividade às pastagens degradadas, em que cerca de 130 milhões de hectares foram classificados como em ótimas condições para recuperação e uso.

Por fim, vamos falar sobre o acordo comercial entre o Mercosul e Europa. Não, este assunto não é uma reprise. Já o discutimos algumas vezes por aqui. Também já mencionamos que esta é uma série com várias temporadas e que pode terminar sem um desfecho. Segundo um conselheiro para assuntos comerciais da União Europeia, o já famoso acordo entre o bloco europeu e o Mercosul ainda pode sair, pelo menos na perspectiva do bloco europeu. Em um evento no Brasil, ele destacou que as restrições europeias à importação de commodities de áreas recentemente desmatadas não alteram a intenção do bloco de fortalecer as relações comerciais. Entretanto, ele não mencionou que nos termos atuais o acordo desfavorece o bloco sul-americano e prejudica o campo de seus signatários. Certo mesmo é que o final dessa série parece ainda estar longe.

Veja mais do Agrovip da Agroconsult abaixo.