Confira abaixo os principais acontecimentos que marcaram o agronegócio durante a semana do dia 14 a 21 de fevereiro de 2025.

Na última quinta-feira, o governo anunciou a suspensão das linhas equalizadas do Plano Safra. No entanto, devido à repercussão negativa, no dia seguinte, o Ministério da Fazenda anunciou uma medida provisória com crédito extraordinário de R$ 4 bilhões para manter o acesso ao financiamento. Enquanto que para as culturas de verão o impacto de uma possível suspensão dessas linhas é pequena — inclusive para o milho de segunda safra, que está sendo plantado —, outras culturas, como o trigo, além de investimentos na compra de maquinários, armazéns e sistemas de inovação, podem ser fortemente impactados. Para se ter uma noção, nos últimos anos, cerca de 20% do financiamento de custódia do trigo veio de linhas equalizadas do crédito rural, e a suspensão dessas linhas poderia impactar a intenção de plantio, justamente quando o produtor decide se vai plantar ou não. A dificuldade orçamentária do governo e o cenário de alta dos juros criam um ambiente extremamente complexo para as políticas públicas voltadas para a safra. Para a safra 25/26, com expectativa da Selic de 15% ao ano, o custo da equalização deve ser ainda maior, exigindo que o governo tenha que escolher entre um volume total de recursos menor ou taxas de juros maiores.

Biodiesel sofre revés na produção provocada por decisão do Governo

Na semana passada, pressionado pela inflação, o governo decidiu não aumentar de 14% para 15% a quantidade de biodiesel no diesel, mudança que estava prevista para março. A medida visa não aumentar ainda mais o preço do diesel, já que o biodiesel encarece a mistura, e combustível mais caro impacta em alta de todos os produtos, principalmente de alimentos. A Aprobio afirmou, no entanto, que o aumento no preço do diesel provocado pela mistura seria pequeno. E criticou a quebra de compromisso e previsibilidade do governo, destacando que as companhias do setor já haviam se preparado e investido na ampliação da produção, inclusive com o aumento da aquisição de insumos. O presidente do Conselho de Administração da entidade, Francisco Turra, concluiu em nota: “Não é possível afetar toda uma cadeia produtiva 15 dias antes do aumento da mistura.” O episódio se soma a decisões de última hora, demonstrando a falta de planejamento e de uma política econômica clara por parte do governo, o que afeta a confiança do setor.

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