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A notícia saiu no fim de semana: Brasil e Argentina vão começar já os preparativos para criar uma moeda comum. Depois veio uma explicação melhor: não é para acabar nem com o peso, nem com o real. A ideia é criar uma unidade comum de troca para facilitar o comércio entre os dois países. Qual o impacto disso para dois dos principais produtores da agropecuária mundial? Vamos esperar mais detalhes.

O Rally da Safra avalia nesta semana as lavouras de soja do Sudeste do Mato Grosso. Na semana passada, as equipes passaram pelo Norte e pelo Oeste do Paraná. As condições por lá eram boas, dentro do esperado. Enquanto isso, a situação continua preocupante no Rio Grande do Sul, onde a chuva não veio como se esperava nas últimas semanas.

Não é fácil substituir um bife de verdade. As chamadas carnes de origem vegetal chegaram ao mercado há mais ou menos três anos, causando uma certa sensação. De lá para cá, a coisa esfriou: em 2022, as vendas desse tipo de alimentou caíram 14% em volume nos Estados Unidos. A esperança dessa indústria agora é a carne produzida com proteína cultivada em laboratório, que pode chegar a alguns restaurantes nos próximos meses – mas vai demorar de 3 a 5 anos para chegar aos supermercados.

Como a gente já falou na segunda-feira passada, nesta semana é feriado na China. Isso deve esfriar bem os mercados agrícolas. A expectativa é para o que vem depois. A esperança é de continuidade na reabertura da economia. O que pode atrapalhar é a covid. A doença causou cerca de 13 mil mortes nos hospitais chineses na semana passada, segundo os números oficiais.


SOJA | Choveu na Argentina, mas ainda é pouco

Choveu nos últimos dias na Argentina. Foi melhor do que nada e pode amenizar a situação em algumas lavouras. Ainda está longe de ser o suficiente para possibilitar uma ampla recuperação da soja, que no geral ainda está condições bem piores do que na safra passada – segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires, 60% das lavouras se encontram em condições ruins. A chuva contribuiu, no entanto, para fazer com que os preços no mercado internacional fechassem a sexta-feira, 20 de janeiro, 1,4% abaixo do encerramento da semana anterior. Não foi só por causa disso: um movimento de realização de lucros também puxou os preços para baixo non exterior. No Brasil, o mercado oscilou entre a estabilidade e a queda. A valorização do dólar acabou estimulando algumas vendas.

 


MILHO | Quem tem não quer vender, quem compra quer esperar

No mercado doméstico de milho, a coisa anda sim: o produtor não quer vender porque espera que o preço suba, e o comprador não quer negociar, esperando a chegada da safra de verão ao mercado. Enquanto isso, a comercialização avança lentamente. Os preços no mercado interno fecharam a sexta-feira em queda na comparação com o enceramento da semana anterior. Os preços internacionais subiram um pouco, mas não muito. As condições das lavouras na Argentina são ruins, mas pelo menos choveu um pouco, o que pode amenizar a situação para as lavouras mais tardias (o plantio chegou perto de 90% da área prevista para esta safra no país, segundo a Bolsa de Cereales de Buenos Aires).

 


ALGODÃO | Uma nova fronteira 

Eis uma boa notícia para a cotonicultura brasileira: o Egito abriu as fronteiras para o algodão brasileiro. Os egípcios definiram recentemente as exigências fitossanitárias que precisam ser cumpridas pelos produtores brasileiros, relativas ao controle do bicudo do algodoeiro e ao tratamento de resíduos na produção. Nesta safra, as importações de algodão pelo Egito devem chegar perto de 360 mil toneladas, segundo as projeções do USDA.

Na semana, os preços internacionais fecharam em alta. Contribuíram para isso o aumento dos preços do petróleo, a demanda de algodão americano pela China, e os problemas climáticos que prejudicam a safra indiana, onde as altas temperaturas durante o plantio prejudicaram a germinação e reduziram a população de plantas por hectare.

 


CANA | Excedente no papel, fluxo apertado na prática 

Os números mostram um excedente de açúcar no mercado. Na prática, porém, os fluxos continuam apertados. O resultado disso foi um mercado bem estável para o primeiro vencimento – março/2023 – e uma alta de 0,5% para o vencimento de julho. O spread março/julho continua próximo de 2,00 pontos, indicando a necessidade de açúcar no curtíssimo prazo e uma melhora na condição nos próximos meses. Na Índia, o governo sinalizou que não abrirá novas cotas de exportação. É uma tentativa de conter a alta dos preços dos alimentos no mercado interno. Sem uma nova cota, as exportações podem cair de 11 milhões de toneladas para um teto de 6,1 milhões de toneladas.

O mercado continua atento ao que se passa no Brasil. A principal dúvida diz respeito à tributação dos combustíveis – se as alíquotas voltarem a subir, as usinas podem migrar uma parcela maior do mix de produção do açúcar para o etanol. As definições a esse respeito e as condições climáticas no Centro-Sul devem determinar os rumos do mercado nos próximos dias.

O etanol teve mais uma semana negativa. A queda acumulada desde o início do ano é de 11,4% no hidratado e de 9,3% no anidro. Há poucos negócios acontecendo, seja pela falta de definição sobre a tributação, seja porque no início do ano a demanda é naturalmente enfraquecida. O prêmio anidro/hidratado fechou a semana a 14,7%. Na média da safra o prêmio é de 16,5%, 1 ponto percentual acima da média da safra passada.

 


CAFÉ I | Números novos

Dois relatórios importantes para o mercado de café saíram na semana passada:

  • A Conab projetou a produção brasileira em 54,9 milhões de sacas na safra 23/24, 8% acima da temporada anterior. A recuperação se deve em parte à produtividade – puxada por Minas Gerais, onde o clima colabora – e em parte a uma expansão de 3% na área colhida, projetada em 1,9 milhão de hectares, com a entrada em produção de áreas que no ano passado ainda estavam em formação.
  • As exportações brasileiras fecharam 2022 em 39,3 milhões de sacas, queda de 3% sobre o ano anterior, segundo o Cecafé. Em dezembro, foram embarcadas 3,2 milhões de sacas, 18% abaixo do mesmo período de 2021. Os principais destinos foram os Estados Unidos (7,98 milhões de sacas), Alemanha (6,84 milhões de sacas) e Itália (3,35 milhões de sacas).

CAFÉ II | Inverno quente, economia fria 

Dois pontos para prestar atenção e que podem influenciar as projeções para o consumo de café:

  • Parte do mercado aguarda para ver se os juros nos Estados Unidos vão continuar subindo na próxima reunião do Fed, marcada para 31 de janeiro e 1º de fevereiro. Uma eventual desaceleração na alta pode ser bom para o consumo de café (e de tudo o mais, evidentemente).
  • As temperaturas neste inverno europeu estão um pouco acima da média, o que é ruim para o consumo de café. Ainda há de dois a três meses de frio pela frente, porém – e há previsão de dias gelados logo adiante.

 


TRIGO | Preços para cima no Paraná e para baixo no Rio Grande do Sul

A expectativa de boas safras neste ano contribuiu para mais uma semana de queda nos preços internacionais do trigo. Em relação ao fechamento da semana anterior, o recuo foi de 0,27%. O que deu alguma sustentação para o mercado foram a comercialização e os embarques nos Estados Unidos, que vieram acima da expectativa da maioria dos analistas. No Brasil, os preços foram em direções opostas. Segundo o índice Cepea/Esalq, houve alta de 0,11% no Paraná, enquanto no Rio Grande do Sul ocorreu uma queda mais significativa, 0,98%.