Segundo estudo da OCDE, o volume de subsídios governamentais destinados ao setor agro entre os principais produtores do mundo atingiu o recorde de US$ 851 bilhões por ano, em média, entre 2020 e 2022. Apenas quatro desses grandes players – China, Índia, EUA e União Europeia – representam 78% desse montante. Cada país tem políticas e estratégias específicas para o uso desses recursos, sempre com o objetivo de garantir competitividade a cada um deles. O Brasil, apesar de também contar com subsídios, costuma ter uma participação robusta do setor privado nessa equação. Alguns dos setores como grãos, fibras e sucroenergéticos possuem uma competitividade natural e acabam por se beneficiar da ampla oferta de crédito privado no financiamento do campo para atender à demanda.

Entidades ligadas à produção de soja como Abiove e Aprobio pressionam o governo para aumentar a mistura de biodiesel no diesel de 12% para 20% até 2025, contrariando a programação atual de incremento de 1 ponto percentual ao ano até 2026. Executivos das principais Tradings agrícolas anunciaram que podem vir a investir em torno de 10 bilhões de dólares, principalmente para atender à demanda por biodiesel. O governo vê positivamente a proposta, considerando questões ambientais e de suprimento de diesel. Essa mudança no mandato pode resultar em alterações estruturais no setor, com impacto no mercado doméstico de soja. Mas temos que lembrar que entidades como a Anfavea, que representa os produtores de motores, se colocam contrários a qualquer mudança brusca como esta que está sendo proposta.

A necessidade de expandir a agricultura para regiões com maior déficit hídrico e intensificar áreas com duas ou mesmo três safras impulsionou o crescimento das áreas irrigadas. A utilização de pivôs centrais no Brasil aumentou significativamente, crescendo 225% nos últimos 12 anos, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA). Até o final de 2022, o país possuía mais de 30 mil pontos de pivô-central, cobrindo quase 2 milhões de hectares. Seis estados concentram 92% da área irrigada: Minas Gerais, Goiás, Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Considerando todas outras as formas de irrigação, a área total no Brasil atinge 9 milhões de hectares.

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